Dentre todas as mudanças impostas pela chegada da Covid, as máscaras, definitivamente, têm grande importância. De diferentes cores e tecidos, elas fazem parte dessa nova realidade que agora chamamos de “novo normal”. Se no início de 2020 havia uma discussão com relação à sua importância, hoje, quase um ano depois, sua utilidade já está mais do que comprovada.

De acordo com estudos realizados no decorrer da pandemia, o vírus Sars-COV-2 é transmitido, majoritariamente, pelo ar — por meio de aerossóis. De forma bem simples, significa dizer que sua transmissão acontece quando indivíduos infectados eliminam o vírus quando tossem ou espirram. Há estudos que nos mostram a física das gotículas no ar e quanto tempo elas ficam em suspensão. Outros, demonstram a distância que essas mesmas gotículas podem atingir. A ciência é muito surpreendente e, por esta razão, a máscara é uma ferramenta importante para a proteção de todos — assim como distanciamento social e lavagem das mãos.

As máscaras — de qualidade adequada — funcionam nas duas vias: impedem a transmissão de alguém que está contaminado com o vírus e também impedem que uma pessoa se contamine. Usá-las é um ato coletivo e também de bom senso, porque, além de nos protegermos, protegemos os outros. Pensar no outro me parece uma atitude louvável nesses tempos pandêmicos.

Acompanho o noticiário diariamente e vejo que o uso das máscaras é motivo de muita polarização e desconforto. Enquanto alguns (ainda) questionam a sua utilidade, outros discorrem sobre o seu incômodo ao usar elas. Confesso que no início da pandemia eu também tive que me adaptar às máscaras. Lembro que durante a minha primeira ida ao supermercado, comecei a hiperventilar e pensei que não fosse possível me adaptar. Ledo engano. Outro dia, depois de voltar do supermercado, cheguei em casa, lavei as minhas mãos e comecei a cozinhar. Vinte minutos depois percebi que ainda estava de máscara. Somos seres adaptáveis, ainda bem.

Mas, voltando ao noticiário, vejo muitos jornalistas curiosos, perguntando aos especialistas quando poderemos voltar à normalidade sem máscara. Acho genuína a curiosidade sobre essa tão sonhada normalidade, mas acredito que esse tipo de questionamento não é muito adequado no momento atual. Destaco dois pontos importantes: o primeiro é com relação à normalidade no período pré-pandemia. Creio que essa normalidade não voltará. A partir de agora, a normalidade vai ser outra, queiramos ou não. Todos nós já sabemos que, quando a realidade se impõe, não há muito para ser feito.

O segundo fato importante diz respeito à ciência e aos especialistas. Por mais que a ciência tenha sido a nossa bússola nesse período pandêmico, ela também não é capaz de nos fornecer todas as respostas, tampouco os especialistas o são. Então, quando me deparo com esse tipo de questionamento e debate, acho ingênuo — para dizer o mínimo.

Por fim, acredito que as máscaras vieram para ficar. Não acho pertinente pensarmos em quando abandonaremos as máscaras. É justamente o contrário: devemos incorporá-las à nossa rotina e por tempo indeterminado. Precisamos informar à população sua importância, assim como as outras medidas preventivas contra a Covid: distanciamento social e lavagem das mãos. Não acredito que este caminho seja alarmista, é apenas o reconhecimento de que o mundo mudou. A realidade mudou também. E, como diz a Dra. Margareth Dalcolmo, quando pudermos viajar, que não esqueçamos de dois utensílios básicos: a escova de dentes e as máscaras.

I write what I cannot forget

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