2020 foi um ano atípico. Acho que todos tivemos um ano assim, atípico — no mínimo. Na virada de 2019 para 2020, eu tinha um só plano para o próximo ano: defender o doutorado; terminar um ciclo e começar outro. Mas, a pandemia chegou e com isso, planos tiveram que ser colocados na prateleira e uma nova realidade se impôs. Foi um ano extremamente desafiador e difícil. Um ano de inúmeros questionamentos, incertezas e muita, mas muita reflexão. E sim, foi também um ano de despedida, de dor e muito luto — ano de travessia. Muitos se despediram de entes queridos e eu também. Meu melhor amigo se foi e sua ausência é sentida diariamente.

Em contrapartida, também foi ano de encontro. Ano de amizade, cumplicidade e muita disponibilidade. Com a reclusão necessária, a tela foi a principal ferramenta de aprendizagem e foi também uma facilitadora de afetos; encurtou distâncias. No meu caso, foi fundamental para navegar por essas águas tão incertas. Foi, sobretudo, um lugar de colo e abrigo. Foi pela tela que gargalhei as minhas melhores risadas e chorei os choros mais doídos.

2020 foi, antes de tudo, um período de muito aprendizado e alguns fios brancos. Decepções? Sim, algumas e pontuais. Por mais clichê que possa parecer, é também aprendizado. É pra lembrar que na vida, nada é constante, só a mudança.

I write what I cannot forget

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